Vamos Nessa: Tiago Camilo
Respeite sua vocação, seja determinado e jamais pare de sonhar e realizar – a receita do judoca paulista fará de você campeão

Nascido no município paulista de Bastos, cidade brasileira cuja população concentra o maior percentual de descentes japoneses, Tiago Camilo, 29 anos, tem trejeitos orientais. Calmo, tom de voz baixo e olhar sereno, ele parece pensar profundamente antes de fazer qualquer movimento – dentro e fora dos tatames.
Fã de esportes, seu pai o matriculou no judô em 1987, quando Tiago era um guri de apenas cinco anos. “Ele optou pela arte marcial, que era forte na cidade, em grande parte pela filosofia que carrega”, rememora o campeão. Disciplina, educação, organização, respeito ao próximo – sobretudo aos mais velhos – e equilíbrio: foram essas as molas propulsoras de uma carreira vitoriosa.
Depois do empurrãozinho do pai, o menino mostrou personalidade de gente grande. Não se sentiu compelido a ir na esteira da maioria dos brasileiros, devota do futebol, permanecendo fiel ao esporte individual. “É preciso se conhecer e correr atrás do que realmente gosta. A preferência dos outros não pode importar”, sustenta.
O judoca é casca-grossa: acumula duas medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos (2007 e 2011), uma de prata na Olimpíada de Sidney (2000), uma de bronze na de Pequim (2008), além de mais uma penca em campeonatos sul-americanos, brasileiros, paulistas, em Copas do Mundo, Grand Prix e Grand Slam. Depois de tantas conquistas, já dá para pendurar o quimono, certo?
Errado. Tiago quer chegar tinindo aos Jogos Olímpicos de Londres, neste ano (ele está praticamente classificado), e do Rio de Janeiro, em 2016.
Mas e quando a carreira chegar ao fim mesmo? “É difícil parar com algo que sempre foi muito forte em nossa trajetória. Por isso, é importante se preparar psicologicamente”, afirma. O paulista não dá a mínima pinta de que pode, como um sem-número de atletas profissionais de alto nível, cair em depressão quando a aposentadoria bater à porta. “Sempre há projetos para tocar. Acredito que vou continuar ao lado do judô. Vou trabalhar no desenvolvimento do esporte.”
O macete do passado, do presente e do futuro é o mesmo: entrar de cabeça nos desafios – é assim que ele espera sagrar-se campeão olímpico. Tiago Camilo, pode apostar, ainda vai trazer muita alegria ao Brasil. Abaixo ele dá dicas tão precisas quanto seus ippons para você passar uma rasteira nos problemas e chegar ao lugar mais alto do pódio.
Sobre
TOMAR DECISÃO
É preciso saber aonde quer chegar. Só assim é possível tomar decisões sem hesitar e medo de errar. Aos 14 anos, decidi que o judô era o que eu queria para a minha vida. Saí do interior e vim para São Paulo em busca de vitórias muito maiores. Quando vemos que o objetivo é algo possível de se alcançar e está mais perto do que antes, é necessário ainda mais comprometimento. Com foco, as coisas se realizam, as portas começam a se abrir.
Sobre
SER CAMPEÃO
O campeão não é composto só de talento. Há vários fatores e uma série de qualidades que envolvem um vencedor. Determinação, disciplina e equilíbrio mental são muito importantes. Por exemplo: existem atletas supertalentosos, mas que na hora de competir não vão bem. Isso ocorre devido à insegurança mental. Temos que viver de uma maneira harmoniosa para as coisas acontecerem como queremos.
Sobre
COMPETIR
O foco não deve ser o adversário. Tenha seus objetivos. Tenha em mente o que é preciso fazer para ganhar ou conquistar a vaga. É necessário buscar sua excelência. Gaste energia consigo e não com os outros. Canalize toda a energia nos treinos, na motivação. A competição sempre vai existir. É a forma como você a encara que faz a diferença.
Sobre
RESPEITAR LIMITES
Tive uma lesão em 2000. Fiquei oito meses parado e passei dois anos patinando nos treinos. Você volta e quer fazer as mesmas coisas que fazia antes da lesão. Só que há perda de músculo, de consciência dos movimentos. O retorno tem que ser devagar. Não se pode acelerar o processo. Isso vale não só no treino, mas na vida. As coisas não precisam ser rápidas. Um dia a mais, um dia a menos, não fará diferença.
Sobre
GANHAR DINHEIRO
Não acho que os objetivos têm que ser traçados com essa intenção. Eles devem ter motivações maiores. Desde cedo decidi que o judô seria minha profissão, mas porque era algo de que gostava muito. As pessoas precisam se conhecer e confiar nas suas habilidades.
Matéria publicada na Revista Men’s Health de fevereiro de 2012.















Deixe seu comentário