Minhocas?
Esta edição especial saúde só tem um propósito: dar um atalho para você curtir a vida na maior diversão possível. Hoje. Amanhã. Sempre

Autocontrole, compreensivamente, é uma palavra imponderável quando a gente tem 20, 30 anos. Estamos no pico de nossa energia, testosterona saindo pelo ladrão, nos sentimos imortais e queremos experimentar o mundo a todo volume – dos limites do corpo e da mente aos prazeres do sexo e da gula, dos excessos do copo aos desvarios intelectuais. Não bastasse a “autossabotagem”, ainda sofremos pressões sociais contra ter uma vida mais regrada. Quase meio século depois, seguimos respirando os ares da contracultura, filosofia de vida tão sedutora quanto extemporânea. A ideia de que “hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas”, máxima hippie do verão do amor de 1967, nos inebria feito ácido sintetizado para reagir diretamente com hormônios em ebulição. O resultado? Vivemos como se não houvesse amanhã. A contracultura virou tão mainstream que aqueles que põem algum controle na sua agenda sexual, moral, de ingestão química e orgânica são censurados como soldados da bundamolice. Essa elegia aos excessos a gente vê em tudo que é canto, da imprensa à publicidade, da literatura à internet. E tem gente que ainda acha cult.
Ao chegar aos 40, 50 anos – a memória rateando na esteira dos abusos; o corpo enferrujado pelo sedentarismo e pelo estresse; órgãos castigados pelo tempo e pelo descaso – percebemos que um certo autocontrole não teria feito assim, digamos, tão mal. E entendemos que segurar a onda não é exatamente um comportamento reacionário, fascista (no que se refere a controle, censura etc). Há um outro viés político a condenar nossa eventual vontade de cuidar mais da saúde: para alguns luminares da intelligentsia, o zelo pela carcaça teria a ver com o ideário nazista, de purificação da raça, de sobrevivência do mais forte, do homem superior imune aos males que afetam a gentalha. Sim, a filosofia e os pensadores às vezes patinam frente à realidade.
A mais bizarra arma contra formar uma agenda de saúde para sua existência vem dos que rezam pela velha cartilha brucutu-machista. Advogam se tratar de uma coisa pouco masculina. O homem, para essa galera, é o cara feito para ser o centro do universo feminino, da família, da sociedade. Assim, saúde seria a última coisa com que ele, o fortão, o macho provedor, deveria se preocupar. Triste saber que ainda há muita gente nessa tribo.
Esse espírito todo, a um só tempo nostálgico e conservador, mantém uma enorme galera refém de um estilo de vida ultrapassado, que valoriza a autoindulgência infantil, egoísta e irresponsável. Vale lembrar, por outro lado, a existência de uma minoria que não se encaixa nessa boiada, mas não menos míope: os que se deixam levar por uma agenda hipocondríaca.
Fazer o quê, então? Parar e perceber como é fácil e inteligente ter hábitos mais saudáveis no dia a dia. Mas, afinal, não vamos todos acabar com as minhocas? Sim, e aqui entra a ficha que não cai pra galera: até nos juntarmos a elas, viver de forma mais saudável propicia mais prazer, mais sexo, mais diversão, mais energia, mais vontade mental para ligar sua existência no 220 volts – ei, não era isso que os hippies queriam?
Como você pode ver nesta Edição Especial Saúde da MH, pequenas mudanças de hábitos incorporadas sem neura à sua rotina vão fazer você ter uma vida sexual mais ativa (págs. 44 e 90), driblar dor, lesão e pepinos em geral (pág. 60 e 80), comer verdura sem medo de piriri (pág. 29), driblar doenças cardíacas e gripe (pág. 48 e 98) e superar tragédias que quase tiraram sua vida (pág. 102). Você verá que viver com saúde tem mais a ver com uma mudança de mind set do que com ideologia. Cuidar-se hoje é levar sua masculinidade a um patamar mais inteligente, mais alinhado com a atualidade. Fazer isso do jeito MH – sem obsessão e com estilo – é o caminho mais simples, fácil para curtir a vida a mil. Ou você acha que é só meditar e a felicidade desce do céu?














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