Pode notar. Estudo vai, estudo vem, e muitos dos cânones sobre a saúde do homem acabam sob suspeita. Um deles, no entanto, mostra-se inabalável: viver gordo faz mal (esta edição traz dezenas de pesquisas que confirmam a tese). Não importa o que dizem os arautos da libertação infinita – algo como “a busca do equilíbrio nutricional seria uma privação, portanto inaceitável”. Nem o que advogam os defensores dos velhos padrões da masculinidade, os brucutus que temem parecer menos machos – “limar pneus seria o suprassumo da vaidade”; ataque a um só tempo contra supostas futilidade e feminilidade do comportamento masculino. Carregar pneus, você sabe, detona esse movimento reacionário: é só um caminho pra você seduzir menos mulheres, ter mais dor nas costas, morrer mais cedo, sabotar sua carreira, se divertir menos e reclamar mais.

A gordura no homem se concentra principalmente no abdome, diferentemente do que ocorre nas mulheres – nelas, a tendência é se espalhar pelo corpo todo. É do centro do nosso shape que a banha parte para entrar na corrente sanguínea e entupir artérias e sobrecarregar o coração. Ali, bem no meio do nosso corpo, ela se projeta em uma próspera barriga, que faz nossa coluna curvar e escancara nossa falta de informação, nossa rebeldia imatura, nossa fantasia de libertação masculina extemporânea, nosso pouco caso com nós mesmos. Jamais um estilo de vida inteligente.

Há quem queira parecer inteligente dizendo que comer o que der na telha é uma espécie de manifesto contra o autocontrole – velho fantasma da filosofia e da psicanálise acusado de nos levar ao mundo da privação (leia-se neuroses). Esse engano “gastrofilosófico” expressa bem nossa dificuldade genética de sair da zona do conforto, nossa vocação natural para a preguiça, física e intelectual. Fomos levados a crer que somos os leões, os reis do pedaço, que esperam as presas sentados, que aguardam suas fêmeas trazerem o rango, construídos divinamente com músculos e sabedoria, quase deuses. Graças a mudanças na sociedade – obrigado, mulheres, por nos fazerem repensar nossa natureza – e na economia (nunca trabalhamos tanto e tivemos tantos outros leões pra tomar nosso pedaço), nos tornamos seres mais humanos, mais terrenos. E, aí, comer de forma equilibrada e controlar o peso com atividade física se tornaram itens de sobrevivência fundamental. Em qualquer savana: intelectual, sexual, profissional ou social.

Aqui está uma MEN’S HEAlTH para ajudar você a se destacar na selva da vida moderna. Uma Edição Especial Perda de Peso, fértil em material científico, distribuído em quatro reportagens (incluindo o treino do pôster). Uma MH que pode torná-lo um rei leão de fato, um animal mais esperto, elegante, energético, flexível, ágil, saudável e sedutor. E liberto da cantilena brucutu dos que adoram viver no passado.