Dia desses, terminamos uma reunião de trabalho e um colega de outro departamento veio conversar sobre uma sacada “legal” de nutrição. Disse que tinha emagrecido vários quilos substituindo uma das refeições por um shake X durante um mês. Sugeriu reportagem na Men’s. Expliquei que não publicamos matérias com soluções discutíveis, polêmicas. Nossa meta é o equilíbrio. Comer – ou treinar, se relacionar, cuidar da saúde etc. – de forma balanceada é o melhor caminho para ter corpo em dia, cabeça no eixo, sexo a mil, enfim, uma vida plena.

Ok, dá para dizer que alguns shakes, quando consumidos como suplementos, favorecem o emagrecimento ou o ganho de massa. Mas usados para substituir refeições num prazo relativamente longo é jogar para perder. Se não apenas nas qualidades nutricionais – especialmente sem compensação de nutrientes nas outras refeições –, também no prazer e na saciedade. Ou degustar um prato legal não é um ritual gastronômico importante?

Vida plena, bem-estar, equilíbrio são condições mais complexas do que só ter um corpo legal. É preciso reeducar hábitos alimentares, mudar o mind set. Balanço legal, em qualquer pilar de sua vida (nutrição, sexo, condicionamento, saúde, estilo, carreira) só se consegue por meio de informação e da aplicação desse conhecimento. Daí vem a recompensa. E não por meio de privações – físicas, sensoriais ou emocionais. Avançar na vida envolve corpo e mente, é uma questão de trabalho e resultado. Recompensa sem trabalho é aposta na salvação celestial. É loteria. E prêmio de loteria – prêmio já diz tudo – distorce a visão do jogador, não educa, vicia e dura pouco. Onde está o equilíbrio aqui?

Certo, já vimos que é preciso transformar ideias em ações, alinhar cérebro e músculos, amarrar estratégias com saídas práticas. Onde você tem mais condições de fazer isso? No trabalho? Eu e a torcida do Flamengo temos dúvidas. Na academia? Nos ocupamos demais com o corpo por lá. Nos templos, cultos, baladas, raves, spas e centros de massagem? Ali privilegiamos as sensações cerebrais. Não dá outra: nosso combustível para tocar o barco vem de casa – seja você solteiro ou casado, como eu. Meu gás diário vem dos papos com minha filha. As decisões que tomo são estudadas com minha mulher ou refletidas na solidão da sala – ao som de Jeff Buckley e/ou ao sabor de um bom tinto ou uma cerveja encorpada.

Casa hoje está cada vez mais no centro das discussões do bem-estar. Designers contemplam o bunker com arrojo ou irreverência, a fim de motivar uma vida mais alegre e frutífera. Cientistas da sustentabilidade se preocupam com os solteiros (otimiza-se o consumo de energia, água, transporte etc. quando se vive com mais gente sob o mesmo teto). A psicanálise mantém olho vivo no seu cafofo. Você está viciado em internet? Vive recluso? Tem síndrome do pânico ao cruzar o portão? E não é de hoje que a escalada da violência nos impõe repensar a vida doméstica. Tudo isso sem falar da (nem tão) nova relação entre homem e mulher, que vem levando a nós, homens, cada vez mais para dentro do ninho, na carona da responsabilidade e do prazer (educação dos filhos, alimentação bacana, tarefas domésticas repartidas, escolha da decoração).

É por isso que todo ano trazemos nosso Especial Morar Bem, como o que você encontra em 14 páginas desta edição (pág. 80). Aqui, reunimos 100 ideias para você comer legal, seduzir com classe, malhar com criatividade, receber e celebrar com estilo e se divertir a valer. Vá nessa. Esta é uma edição para relaxar. Sinta-se em casa.