>> Sérgio Rodrigues, arquiteto carioca e referência do design brasileiro no exterior.

MH – Além de estilosas, peças de design têm de ser funcionais?

Sérgio Rodrigues – Sim. O objeto de design precisa ser útil. Do contrario, é escultura. O que também acho bacana, faço e tenho em casa. Mas não é o foco do meu trabalho.

MH – O que pode desqualificar um objeto de design?

Sérgio Rodrigues – O profissional que deixa o produto caríssimo, sem qualidade nos materiais e com conceito simplório depõe contra a peça.

>> Fernando Jaeger, designer e proprietário de seis lojas-ateliê homônimas.

MH – Quem é seu público-alvo?

Fernando Jaeger – Viso atender a todo perfil de cliente. Mas noto que muitos jovens vão às minhas lojas, principalmente os recém-casados que estão montando a casa. Tenho feito coisas bem coloridas…

MH – Algum outro diferencial nos seus lançamentos?

Fernando Jaeger – Tenho usado teflon em sofás e poltronas, por exemplo. Sem deixar o móvel com cara de plastificado, o revestimento é hidro-repelente. Ou seja, impermeável: se você derrama vinho, o sofá não absorve a bebida.

>> Fernando Mendes, arquiteto e desenhista industrial do Rio de Janeiro, e Roberto Hirth, desenhista industrial do Rio de Janeiro. Eles trabalham muito em dupla.

MH – Qual a principal característica do desenho de vocês?

Fernando Mendes – Não gostamos de enfeite. Quanto mais limpo o traço da peça, mais bonita ela fica.

MH – Na loja, como o cliente checa se o móvel foi mesmo feito com madeira original e de qualidade?

Roberto Hirth – Essa madeira costuma exibir veios – atenção nisso. Trabalhamos só com matéria-prima certificada pelo Ibama. Mas por aí há muitos móveis revestidos com imitação de madeira, acabamento artificial.

>> Guto Requena, arquiteto de São Paulo e dono de um estúdio homônimo.

MH – Por que vale a pena investir em uma peça de design?

Guto Requena – Acreditamos na sustentabilidade afetiva. Se o cliente se envolve com um objeto de design, demora mais tempo para descartá-lo. A peça vira uma relíquia em casa – logo, ganha durabilidade.

MH – Além de objetos de design, você também faz projetos residenciais para homens. Como é projetar para o público masculino?

Guto Requena – O homem solteiro quer cozinha integrada à sala, para promover eventos e receber bem. Muitos clientes também pedem projetos de bar e soluções com apelo tecnológico.

>> Baba Vacaro, designer de São Paulo e diretora de criação das empresas Dominici, Spot e St. James.

MH – Uma característica do seu trabalho é aplicar tecido nas peças. Por que essa preferência?

Baba Vacaro – Tecidos possuem baixo impacto de produção e agradam a cada vez mais gente. Minhas luminárias revestidas com o material – linha Dress to impress – também têm sido procuradas pelo público masculino.

MH – O mercado brasileiro investe e apoia os designers?

Baba Vacaro – A gente ainda não alcançou a valorização que merece. Mas noto que, felizmente, empresas estão apostando mais no design brasileiro. O consumidor também.