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Todo fim de ano a história se repete. Correria para bater metas no trabalho, festa da empresa, amigo secreto em família e aquela comilança no Natal. Quando toda essa loucura for embora, você só vai querer saber de uma coisa: férias. O que nem sempre significa ficar de perna para o ar deitado numa rede. Muitas vezes pegar uma trilha que leve a uma paisagem incomum, quase lunar, ou sair para provar alguns dos melhores vinhos do Novo Mundo pode fazer muito bem para a sua cabeça e ainda servir para recarregar as baterias. Foi pensando nisso que a MH escalou um time de experts para elaborar seis roteiros com o que há de melhor no Brasil e no mundo
NOVA ZELÂNDIA
POR QUE IR É um país que mistura natureza exuberante (é só conferir os cenários naturais da trilogia O Se nhor dos Anéis) com o culto à saúde e à aventura (a cidade de Queenstown é a capital mundial do esporte radical). Auckland, localizada na ilha norte, é uma metrópole urbana muito bem resolvida e meca de iatistas de todo mundo. Suas marinas vivem lotadas. Rotorua é uma pequena cidade famosa por seus gêiseres e terapias à base de lava vulcânica. Mas Queenstown, na ilha sul, ganha quando o assunto é adrenalina. Foi lá que nasceu o bungee jump. Dali em direção a oeste, estão algumas trilhas de trekking mais belas do mundo.
POR QUE SEU CORPO AGRADECE O país todo respira esporte e saúde. É um lugar onde as paisagens convidam o visitante a fazer quase tudo a pé com uma mochila nas costas. Os neozelandeses sabem que a natureza é um patrimônio inestimável - o que de quebra serve de lição para a gente.
POR QUE SUA CABEÇA CURTE Desde o primeiro momento em que você desembarca no aeroporto de Auckland vai encontrar um povo gentil. Se tiver tempo, pode cruzar o país de norte a sul. E vai encontrar vários países num só: ventos perfeitos para a navegação, vulcões e montanhas nevadas. Caso queira radicalizar, corra para Queenstown. Mas, se preferir tranqüilidade, encontre um lugar para chamar de seu junto às montanhas Eyre.
QUANTO CUSTA Aqui vão dois programas obrigatórios:
1) A travessia de 92 quilômetros entre as duas ilhas que formam o país. São três grandes balsas que fazem o percurso em três horas. Pedestres pagam 72 dólares neozelandeses e têm à disposição amplos salões e lanchonetes para se acomodar na viagem entre Wellington (ao norte) e Picton (ao sul). Saiba mais no interislander.co.nz.
2) A TranzAlpine (tranzscenic.co.nz) é considerada uma das mais belas viagens de trem de todo o mundo. O comboio percorre o país de uma costa a outra entre as cidades de Christchurch e Greymouth. Dura quatro horas e custa 149 dólares neozelandeses por trecho.
DESERTO DO ATACAMA
POR QUE IR Para relaxar enquanto desfruta as paisagens únicas do deserto mais árido do mundo. A vida flui devagar em San Pedro do Atacama, o simpático povoado com ruas de terra, ponto de partida para os passeios nos arredores. Uma viagem boa para curtir sozinho - mas só se você quiser. O lugar reúne gente aventureira, amantes da natureza e mochileiros de todos os cantos do planeta, um ótimo pretexto para conhecer gente nova e intensificar o intercâmbio cultural.
POR QUE SUA CABEÇA CURTE O Atacama tem uma natureza singular. Você verá animais peculiares, como lhamas e vicunhas, conhecerá salares (minas de sal), gêiseres com impressionantes vapores d'água que saem do solo; experimentará lagoas com alta concentração de sal, que fazem o corpo boiar, e ainda se banhará em piscinas termais quentinhas.
POR QUE SEU CORPO AGRADECE O deserto é uma experiência sensorial única. Impossível não relaxar em sua paisagem lunar, silenciosa, quase meditativa. Mas, se preferir esportes de aventura, o Atacama é um oásis. Vai exigir um esforço maior devido à altitude, mas a recompensa é das boas: há muito o que se ver em caminhadas, passeios de bicicleta, cavalgadas e escaladas em vulcões.
QUANTO CUSTA Há albergues por 40 dólares, mas é possível dormir em alto estilo no Explora (explora.com/atacama_theplace.php) ou no Alto Atacama (altoatacama.com). Passeios podem ser contratados direto das agências de turismo de San Pedro (20 dólares em média).
BUDAPESTE
POR QUE IR Budapeste tem um quê de Viena. Ou seja, além de estar debruçada sobre o mitológico rio Danúbio, também foi buscar na Paris do barão de Haussmann, o grande responsável pela modernização da cidade em meados do século 19, a inspiração para construir suas gloriosas avenidas e edifícios. A capital húngara, no entanto, ainda tem um pé no passado comunista do Leste Europeu, o que lhe confere um ar de décadence avec élégance, tornando-a mais divertida e misteriosa que a sua irmã austríaca.
POR QUE SEU CORPO AGRADECE A cidade está estrategicamente localizada sobre lençóis de águas termais que os húngaros desfrutam em diversos banhos públicos. A água é usada para a prevenção e para o tratamento das doenças reumáticas, dores musculares, asma e outros males. Além dos sais minerais, o calor e o vapor, com seu efeito vasodilatador, são os principais agentes benéficos para a saúde. Sem falar no relaxamento. E um banho frio logo depois estimula a circulação, favorecendo a eliminação das toxinas.
POR QUE SUA CABEÇA CURTE Fundada pelos romanos, Budapeste tem quase 2 mil anos de história, durante os quais enfrentou o domínio turco, a invasão alemã na II Guerra, o comunismo soviético e a volta à democracia. E tudo isso está estampado nas paredes marcadas de bala de alguns edifícios, em seus museus e na sua alma. Não deixe de conhecer o mercado público, um dos mais lindos - e limpos - do mundo.
QUANTO CUSTA O banho mais glamuroso da cidade é o do lindíssimo Hotel Gellért (Rua Kelenhegyi, 4, +36 01 466-6166, gellertbath.com), que custa 13 euros. As massagens variam entre 10 e 15 euros. Uma cerveja sai por 1,5 euro e um chocolate quente por 1 euro. Para curtir a cidade em alto estilo, com spa luxuoso incluído, fique hospedado no Gresham Palace (Praça Roosevelt 5-6, 36 (1) 268-6000, fourseasons.com/Budapest), o hotel mais elegante do Leste Europeu, cujos quartos custam de 220 a 4 840 euros a diária. Um jantar clássico com direito a muita páprica, ao lado de famílias locais, pode ser degustado no Kispipa (Rua Akácfa, 38, 36 (1) 342-2587) por cerca de 15 euros por pessoa.
STELLENBOSH, ÁFRICA DO SUL
POR QUE IR A África do Sul é ainda um destino menos óbvio e tem muito a ser descoberta. Depois de viver por décadas assolado pelo regime do apartheid, o país vem procurando se reinventar e dar a volta por cima. A Cidade do Cabo é a porta de entrada para uma das regiões mais interessantes do país. Além da Table Mountain, um maciço gigantesco de montanhas que se vê de qualquer ponto da cidade, é pegando o carro em direção a leste que se chega a Stellenbosch, lugar onde se produzem alguns dos melhores vinhos do Novo Mundo.
POR QUE SEU CORPO AGRADECE Além de ser uma bebida deliciosa e fazer bem para a sua saúde, o vinho permite uma experiência sensorial quase única. De taça em taça você acaba descobrindo que um vinho pode ter aromas dos mais diferentes, alguns até improváveis como couro, queijo e repolho. Basta um pouco de curiosidade e treino para entender que não se trata de frescura. O segredo é um só: beba sempre, ou melhor, deguste. E fazer isso estando num visual como o da região do Cabo é uma experiência inesquecível. Muitos dos parreirais foram plantados no pé de montanhas imensas, num visual de embasbacar. Fique ligado nestas duas uvas: chenin blanc e pinotage, que resultam em alguns dos mais famosos rótulos sul-africanos.
POR QUE SUA CABEÇA CURTE Porque é um país contrastante que possui uma babel de línguas - 11 ao todo -, e onde a história da colonização está em toda parte. A herança holandesa pode ser sentida em vinícolas centenárias, como a Blaauwklippen, que parece um lugar sempre à espera da chegada de algum monarca. De volta à Cidade do Cabo, não deixe de conhecer a Robben Island, a ilha onde Nelson Mandela ficou preso por 18 anos.
QUANTO CUSTA Se dirigir na mão inglesa não é a sua, contrate um passeio de um dia saindo da Cidade do Cabo que leva até as vinícolas (460 rands em média, cerca de 110 reais). Algumas opções são a Book a Holiday (+ 27 21 464-4266), a Hylton Ross (+ 27 21 511- 1784) e a Randy Tours (+ 27 21 706-0166).
SAVILE ROW, LONDRES
POR QUE IR Todo cara ligado em moda deveria passar por esta rua pelo menos uma vez na vida. Longe dos grandes magazines da rua Oxford, a Savile Row é um endereço discreto no bairro de Mayfair que há mais de dois séculos reúne as melhores alfaiatarias do mundo. A imagem de um inglês vestindo um terno sóbrio e impecável é um ícone que estará sempre ligado a Savile Row.
POR QUE SEU CORPO AGRADECE Porque nunca na vida você terá vestido algo tão perfeito. O conceito de personalismo é levado a níveis estratosféricos. Antes de sair de qualquer um dos ateliês, o comprador faz pelo menos quatro provas ao longo de quatro meses - essa é uma regra que todos os alfaiates da rua devem cumprir. E a confecção de um costume nunca dura menos que 50 horas. Só para ter uma noção do naipe de quem já comprou ali, vamos ficar apenas com Mick Jagger, Jude Law, Sean Connery, o rei Hussein, da Jordânia, e toda a realeza britânica.
POR QUE SUA CABEÇA CURTE Porque você vai se sentir o cara e vão olhar para você com muito mais admiração e respeito. Atualmente, a clientela é formada por sujeitos que ganharam seu primeiro milhão (de libras) trabalhando na City, o centro financeiro de Londres, e que vêm em busca não só da fama que a rua empresta mas também da experiência de ter um terno feito sob medida por alguns dos maiores alfaiates do mundo.
QUANTO CUSTA Um terno não sai por menos de 3,5 mil libras (quase 13 mil reais). Na hora de optar por uma alfaiataria, você pode escolher desde a tradicional H.Huntsman, que desde o século 18 ocupa a casa de número 11 da rua, até nomes mais recentes e que trouxeram uma aura vanguardista às criações, como Ozwald Boateng, um britânico nascido em Gana que mistura cores berrantes e técnica de corte apuradíssima. Qualquer cara que tenha no armário um terno sob medida confeccionado na Savile Row jamais vai querer saber de outro. 
BARRA GRANDE, BAHIA
POR QUE IR Por pelo menos três motivos: 1) Tem praias lindas até não poder mais e, o que é melhor, desertas. Dificilmente uma celebridade seria clicada ali no bem-bom na areia ou no mar quentinho. 2) Fica numa península isolada no sul da Bahia, ao lado de Itacaré (uma ponte deve ser inaugurada em breve unindo esses dois destinos perfeitos). 3) No verão fica lotada de gente bonita, solteira, de bem com a vida e querendo se dar bem.
POR QUE SEU CORPO AGRADECE Porque depois de um certo sacrifício que se faz para chegar até lá - avião, estrada esburacada e barco - a recompensa é daquelas que não têm preço: dá para passar uma semana com um par de chinelos e intercalando entre a sunga e a bermuda. As mulhreres? São as mais descoladas, despojadas, bronzeadas - e soltinhas!
POR QUE SUA CABEÇA CURTE Porque mesmo estando num lugar isolado não existe tédio algum. A vila tem um centrinho pequeno. Depois de dois ou três dias todos os rostos ficam conhecidos. Com esse clima relax, as pessoas se aproximam mais facilmente. A melhor época para ir é no Réveillon, quando acontece a festa Beach Ball, que reúne só as mais gatas. É ali, descalças e com o pé na areia, que elas dançam ao som de música eletrônica.
QUANTO CUSTA A festa Beach Ball, na virada do ano, é open bar e custa 500 reais. Mais informações pelo site beachball.com.br.
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