Em Orroli, cidadezinha italiana
no sul da Sardenha, alguns homens
se reúnem na rua, ocupados
com nada em particular. Eles
estão sentados no meio-fio ou
no vão da porta. Dois se encostam no muro,
discutindo o resultado do futebol que
passou ontem à noite. Uma velha senhora
passa por eles em ritmo até veloz para alguém
com sua idade. Um dos caras grita,
fazendo-a olhar para trás e gesticular enfaticamente.
Todos dão risada, e o assunto
volta ao futebol.

O silêncio se instala quando passa uma
bela jovem em seus 20 anos. À medida que
ela se afasta, os rapazes continuam a admirando,
até que um suspiro doloroso quebra
o silêncio. “A gente olha, mas com
olhos molhados de lágrimas”, diz Giorgio,
o líder da galera. “Tamanha beleza nos faz
lembrar da inexorável passagem do tempo.”
Palavras profundas para um coração
tão jovem. Apesar de passar horas nas ruas
sem fazer nada, como um típico adolescente,
os dias de juventude de Giorgio já se
foram há muito tempo.

Aos 97 anos, ele é o porta-voz não oficial
do grande contingente de idosos de Orroli.
Esbelto, bem conservado e com as faculdades
mentais intactas, é um cidadão
típico da vila. Quer dizer, Giorgio não
tem nada de excepcional: em Orroli
há um grande número de habitantes
muito velhos e muito saudáveis.

Entre os 3 mil moradores da cidadezinha
e das comunidades próximas,
pelo menos nove entraram
em seu segundo século. Como
Vincenza Orgiana, de 105 anos,
e Giovanni Frau, que chegou
aos 112. Na época do falecimento
dela, em junho de 2003, Frau era
o homem mais velho da Europa.
Quando Antonio Todde morreu
na cidade vizinha de Nuoro, em
janeiro de 2002, três semanas depois
de seu 113° aniversário, ele
era o homem mais velho do planeta.
Naquele pedaço da Itália,
se você se tornar centenário, há uma
chance de sua façanha ser testemunhada
por alguém ainda mais velho.





Veja a reportagem na íntegra na edição de Agosto de Men¿s Health