
Sabe aquelas listas de boas maneiras colocadas
em piscinas públicas? Não urine na água, não entre antes de passar na ducha, não vomite o
medalhão de filé e a garrafa de cabernet franc
no nosso novo sistema de filtragem. Juro
que esta é a ultima vez que comparo minha
vagina com uma piscina pública, mas
sempre pensei em como seria ótimo afixar
algo parecido nas paredes do meu quarto.
Veja, eu adoro que você adore fazer
sexo comigo, e adoro fazer sexo com você também. Mas, às vezes,
você faz coisas de que não gosto. Coisas bizarras. Coisas que você
acha que vão me fazer gemer de gratidão e prazer, mas que me
dão vontade de virar para o lado e ligar a TV.
Felizmente, esses erros geralmente não ocorrem por falta de
habilidade, mas por excesso de informação errada. Você pode
facilmente desaprendê-los. Lembre-se: eu provavelmente
conheço melhor o que gosto do que você.
E, se eu tivesse um aviso de quarto, o conteúdo poderia ser assim:
NÃO PERGUNTE “DO
QUE VOCÊ GOSTA?” na
primeira vez que fizermos sexo.É o nosso terceiro encontro. Está
bem, talvez seja só o segundo, ou,
quem sabe, acabamos de nos
conhecer num elevador. De
qualquer maneira, já estamos nos
amassos. A calcinha está saindo,
os olhos em chamas. Daí, você faz
a pergunta e pumba!... Acabou-se
a magia. Primeiro eu fico
acanhada. Posso estar pronta para
fazer sexo, mas não tanto para
falar sobre isso! Segundo, vou me
sentir pressionada a dar uma
resposta provocativa, às vezes
envolvendo brinquedos ou
humilhação sistemática, mas aúnica coisa que consigo pensar
em dizer é: “Bem, Paulo, acho
que vou querer estimulação
manual e oral, seguida de
penetração, resultando, porúltimo, no meu orgasmo”.
Finalmente, fico irritada.
Você está tentando parecer sexy,
selvagem, aberto para tudo?
Porque, se estiver, eventualmente
não vou acabar descobrindo?
O que fazer... perguntas mais
tarde. Elas agitam uma relação
que já está rolando sexo. Mas
jogam água fria naquelas que
estão começando.
NÃO ENFIE A LÍNGUA
NA MINHA ORELHA. A
pobre e inocente orelha (a) é um
ponto semidiscreto, (b) é um
buraco e (c) tem pregas. Por essas
razões, ela tem sido mal definida
como uma grande zona erógena.
Esse é um dos grandes equívocos
da história da civilização
ocidental. Há muito homem
agindo conforme a metáfora
de que a orelha dela é um
formigueiro e você, o tamanduá.
Tente segurar a onda.
O que fazer... toque com jeito.
Não estou dizendo para nunca
tocar a orelha. Só não toque
todas as vezes. A orelha deve ser
beijada de leve, talvez lambida
nas pontas, ou mordiscada com
cuidado. Depois, pode largar.É só uma orelha.
NÃO TENTE SOCAR
SEU PÊNIS SEMIDURO
DENTRO DA MINHA
VAGINA. Eu entendo: você
espera que ele endureça mais
estando lá dentro. Ou você acha
que, se você agir como se
estivesse tudo bem, então tudo
vai estar bem. Ou talvez você
esteja tratando seu pênis como
um adolescente teimoso – você
vai mostrar quem é que manda,
e vai mandá-lo para o quarto.
A única coisa mais humilhante
do que enfiar um pênis flácido
dentro de alguém é alguém
enfiando um pênis fl ácido
em você. Nesse ato infeliz,
nós sentimos todo o seu medo,
desespero e insegurança,
concentrados bem no local
onde você quer que sintamos
outra coisa. Acrescente-se
a isso a sensação estranha
de estar ganhando um
exame ginecológico de
um ursinho de pelúcia.
O que fazer... qualquer coisa,
menos isso. Beije. Assista a The
O.C. Peça uma pizza. A menos
que seja um problema recorrente,
exigindo atenção médica ou
psiquiátrica, não tem nada
de mais. Não mesmo.
NÃO TENTE ALCANÇAR
MEU CLITÓRIS se você
estiver numa posição inadequada
para essa conexão. Tipo quando
estou claramente curtindo o que
estamos fazendo. Ou, digamos,
se você estiver na sala, vendo TV
e eu na cozinha fritando um bife.
Tal persistência não é admirável,é irritante. É ótimo você saber o
quanto a estimulação clitorianaé importante. Agora, você
também precisa saber que se
não for feita direito – isso inclui ângulo, pressão e movimentos
certos –, não é agradável e
pode até machucar.
O que fazer... uma pergunta.
Uma boa ajuda pode ser pegar
a mão dela e dizer: “Me mostre
o que você gosta aqui”. Daí você
pode seguir o movimento da
mão dela ou ela pode guiar
a sua até você captar a idéia.
Em certas posições, uma mulher
simplesmente não quer ter
o clitóris estimulado ou prefere
dar conta do recado sozinha.
NÃO RASPE OS PÊLOS
ESCROTAIS. Fazer sexo com
um cara que raspa o saco é como
andar a cavalo sobre uma sela de
cacos de vidro. Se quiser raspar,
faça regularmente. Quer dizer,
a cada meia hora.
O que fazer... aceitar a sua
condição peluda. A menos que
você arranje uma solução mais
digna – e elas são caras –, tente
aceitar os pêlos do seu corpo.
Você é homem. Seu tatara-tatara etc-
avô era um gorila. Ninguém
está culpando você.
NÃO TENHA UM
COLAPSO NERVOSO por
ter ejaculado muito depressa,
perdido a ereção ou não ter
conseguido uma. Um pênis
temperamental, ocasionalmente,
não é motivo para alarme – mas
um cara pirando por causa disso é. (Se você tratar o assunto como
uma catástrofe, vamos começar
a achar que é uma catástrofe,
algo com que devemos nos
preocupar.) Inversamente,
também não é uma boa idéia agir
como se nada tivesse acontecido,
porque, bem, isso não convence.
O que fazer... reconhecer e
lançar mão do bom humor. O cara
que diz “Nossa, só costumo levar
cinco segundos; isso é um recorde”
ou “Acho que as superpílulas
antiereção que comprei na
internet estão funcionando” é o
tipo de cara que nos faz querer
tentar de novo. Mais tarde. Depois
de um filme. E, possivelmente, de
um sanduíche de frango.
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